Qual é o papel da TI na Indústria 4.0? Esse foi o tema da segunda edição do GoEPIK 4.0 Exchange, realizado nesta quinta-feira na sede da empresa em Curitiba, Paraná.

O evento, fechado apenas para convidados, recebeu Ângelo Fígaro Egido, CIO/CDO da Renault e Nissan Latam, e tem o objetivo de discutir as inúmeras possibilidades da Indústria 4.0 no País.

Egido contou que inovar também significa não esperar um retorno financeiro em um primeiro momento, mas sim entender como agregará valor ao business e não apenas financeiramente.

“TI sempre foi vista como uma área de suporte, como um intermediário. TI tem o privilégio de ser uma alavanca, mas se não tiver uma área de negócio bem engajada na frente nada acontece. TI por TI não serve de nada. Temos que apresentar soluções que faça sentido para a organização de forma geral. E a forma de medir é o quanto de valor a gente está entregando para a organização”, disse.

“Por isso, antes de qualquer projeto de transformação digital, a primeira missão é a excelência operacional. O dia a dia tem que estar funcionando. Se a gente não fizer isso, a gente não tem credibilidade para fazer o restante. Com tudo funcionando, você tem um pouco mais de calma para olhar as oportunidades e fazer prospecções tecnológicas”, completou.

A SEGUIR, LEIA AS PRINCIPAIS IDEIAS DE ÂNGELO FÍGARO EGIDO COMPARTILHADAS NO GOEPIK 4.0 EXCHANGE:

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A TI tem uma grande deficiência: soft skills, ou seja, as habilidades relacionais. Para conseguir ser relevante tem que conhecer o negócio. E para conhecer o negócio tem que estar perto, tem que saber falar, tem que conseguir se relacionar com as pessoas, mas tem que saber qual é o seu lugar também. Não adianta ir lá e querer “enfiar o dedo” na ferida do outro dizendo que está fazendo tudo errado só porque você quer colocar uma tecnologia. É preciso desenvolver os nossos soft skills. Não basta somente ter um bom conhecimento técnico. A eficiência do negócio tem que vir antes do nosso conforto pessoal.

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É sempre importante ter um olho no processo e outro na tecnologia. Não são só as ideias de transformação que valem. Valem também as ideias que podem fazer uma redução ou otimização. Não só transformação dos negócios.

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A gente se questionou por que aqui dentro de casa não conseguimos ser startup? O que a gente precisaria fazer para ter esse espírito empreendedor e inovador? A primeira resposta é: os processos da organização não nos permitem.

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Muitas vezes, os processos são muitos complexos dentro da organização que exige a validação da validação, da validação… Isso deixa todo o processo completamente ineficiente. Mas a gente tem que revisitar esses processos. A pergunta a ser feita é: se fosse para você fazer do zero esse processo, como você faria respeitando o compliance? Sempre acreditei que uma empresa é suficientemente inteligente para não deixar passar uma boa oportunidade.

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Sempre questiono como a gente faz para empoderar os níveis mais baixos da organização. É lá que estão as dores e, inclusive, as próprias soluções. A verdade não está nos chefes. Ao contrário: está lá embaixo, na base. Temos que pensar como a gente faz para que os líderes consigam tirar os impedimentos para que as coisas funcionem. Muitas vezes, o que funciona é, infelizmente, a patente. Não é o chefe que é mais inteligente do que o cara que está lá embaixo fazendo o trabalho dia a dia. Até as soluções estão mais visíveis e brotam mais facilmente da base.